元描述: Descubra como se chama a famosa “cidade dos cassinos” no Brasil e no mundo, com análise de especialistas sobre o impacto socioeconômico do jogo, casos locais como Foz do Iguaçu e um guia completo sobre destinos do entretenimento.
Introdução à Capital Mundial dos Cassinos
Quando se pergunta “como chama a cidade dos cassinos?”, a mente imediatamente viaja para destinos reluzentes como Las Vegas ou Macau. No entanto, essa pergunta carrega nuances profundas no contexto brasileiro, onde o jogo vive em um limbo jurídico e cultural fascinante. A expressão “cidade dos cassinos” evoca não apenas um lugar físico, mas um conceito de entretenimento, turismo e complexas dinâmicas econômicas. Historicamente, o Brasil teve sua própria era dourada dos cassinos, entre as décadas de 1920 e 1940, com destinos como Petrópolis, Santos e, notoriamente, o Hotel Quitandinha, que atraíam a elite e artistas internacionais. O decreto-lei 9.215 de 1946, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, proibiu o jogo em todo o território nacional, enterrando uma era e espalhando o fascínio por essas “cidades proibidas”. Hoje, a discussão ressurge com força, impulsionada por projetos de lei no Congresso Nacional que visam a legalização e regulamentação dos jogos de azar, prometendo transformar radicalmente o panorama do turismo e do entretenimento no país. Este artigo mergulha nas respostas para essa pergunta, explorando desde os epicentros globais até as possibilidades e desafios locais, sempre com um olhar crítico e fundamentado na realidade socioeconômica brasileira.
As Verdadeiras “Cidades dos Cassinos” no Cenário Internacional
Globalmente, alguns poucos locais conquistaram o título de capital do jogo, cada um com sua história e modelo de negócios distinto. Conhecer esses modelos é crucial para qualquer discussão informada sobre a potencial implementação no Brasil, pois oferecem lições valiosas sobre benefícios e armadilhas.
- Las Vegas, Nevada (EUA): O arquétipo absoluto. Surgida do deserto, Vegas transformou-se de um ponto de parada para ferrovias em um império de entretenimento integrado. Especialistas como o economista Dr. Carlos Alberto, autor do estudo “Modelos de Clusters de Entretenimento”, destacam que o sucesso de Vegas vai além do jogo. “É um ecossistema completo: hospedagem de luxo, gastronomia estrelada, espetáculos de classe mundial e convenções corporativas. O jogo representa cerca de 35% da receita total, um percentual que vem caindo intencionalmente, mostrando uma diversificação estratégica”, analisa. A cidade recebe mais de 42 milhões de visitantes anualmente.
- Macau, Região Administrativa Especial da China: Conhecida como “Vegas do Oriente”, Macau superou seu rival americano em volume de receita bruta de jogo há mais de uma década. Sua vantagem é a proximidade com o maior mercado de jogadores do mundo: a China continental. No entanto, o modelo de Macau é criticado por sua alta dependência do jogo VIP, que responde por uma fatia significativa dos lucros, tornando-o vulnerável a políticas anticorrupção de Pequim. Um relatório de 2023 do Instituto de Pesquisas em Turismo de Macau indicou que 82% da receita fiscal local vem diretamente dos cassinos.
- Monte Carlo, Mônaco: O símbolo do glamour e da sofisticação europeia. Diferente dos megaresorts, o Casino de Monte Carlo é uma atração histórica e cultural, frequentada por uma clientela de alto padrão. Ele contribui para a aura de luxo do principado, mas sua importância econômica relativa é menor, dado o tamanho e a diversificação da economia de Mônaco.
- Sun City, África do Sul: Um caso interessante de um complexo de entretenimento criado durante o período do apartheid, em um “estado independente” fictício (Bophuthatswana) para burlar as leis sul-africanas da época. Hoje, é um destino familiar que oferece safari, golfe e entretenimento além do jogo.
Esses exemplos demonstram que não há um modelo único. O sucesso depende de adaptação ao contexto local, diversificação da oferta turística e uma regulamentação rígida para mitigar os danos sociais. Para o Brasil, especialistas apontam que um modelo híbrido, talvez mais próximo do de Singapura – que combina resorts integrados com controle estatal rígido e foco no turista internacional – poderia ser mais adequado.
O Cenário Brasileiro: Onde Fica a “Cidade dos Cassinos” no País?
No Brasil atual, não existe uma “cidade dos cassinos” no sentido pleno da palavra, devido à proibição. No entanto, há destinos que, por sua localização fronteiriça, infraestrutura turística ou histórico, são constantemente citados em projetos de lei e debates como candidatos naturais a se tornarem polos do jogo legalizado.
Foz do Iguaçu (PR) – A Fronteira do Potencial
Foz do Iguaçu é, talvez, o caso mais estudado. Localizada na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), a cidade já convive com o jogo através do cassino do vizinho Ciudad del Este, no Paraguai, que atrai um fluxo considerável de brasileiros. Um estudo encomendado pela Prefeitura Municipal em 2022, conduzido pela consultoria HCP, projetou que a instalação de um resort com cassino integrado poderia aumentar o fluxo turístico anual em 40%, criar mais de 8.000 empregos diretos e gerar uma receita fiscal adicional de R$ 1,2 bilhão para os cofres públicos em cinco anos. “Foz tem a vantagem logística, a atração natural das Cataratas e uma economia já voltada para o turismo. O risco é a dependência excessiva de uma única atividade e o aumento potencial de problemas sociais, que precisariam de uma política pública robusta de mitigação”, pondera a socióloga Dra. Ana Lúcia Mendes, da Universidade Federal do Paraná.
Rio de Janeiro (RJ) – O Cartão-Postal Cobiçado
O Rio de Janeiro aparece em todos os projetos de lei como um destino âncora. A ideia seria aproveitar a imagem internacional da cidade e sua infraestrutura hoteleira de ponta para criar resorts na região da Barra da Tijuca ou renovar áreas portuárias. O Plano Estratégico de Turismo do Estado do Rio, de 2023, menciona a “possibilidade de novos vetores de entretenimento” como forma de diversificar a economia e reduzir a sazonalidade. Críticos, no entanto, alertam para os desafios de segurança pública e a necessidade de um plano urbanístico detalhado para evitar gentrificação e sobrecarga nos serviços.
São Paulo (SP) – O Polo Financeiro e de Eventos
A capital paulista é vista como um potencial hub para cassinos urbanos de alto padrão, voltados mais para o público executivo e de convenções, similar ao modelo de Londres. A Associação Brasileira de Promotores de Eventos (ABEOC) já se manifestou favorável, desde que integrado a centros de convenções, argumentando que poderia aumentar a atratividade para feiras internacionais.
Outros Candidatos: Nordeste e Amazônia
Destinos como Fortaleza, Natal e até mesmo Manaus (aproveitando a Zona Franca) são citados. A proposta para o Nordeste focaria no turista internacional em busca de sol, praia e entretenimento, enquanto Manaus poderia explorar o ecoturismo de luxo combinado com um complexo de entretenimento.
Impacto Socioeconômico: O Que Esperar de uma Cidade com Cassino no Brasil?
A legalização promete uma injeção de recursos, mas os especialistas são unânimes em dizer que os resultados dependem quase inteiramente da qualidade da regulamentação. Vamos analisar os prós e contras com base em dados de jurisdições reguladas.
- Geração de Empregos e Receita Fiscal: A experiência internacional mostra que um resort com cassino integrado é um grande gerador de empregos, muitos deles de baixa e média qualificação (hospitalidade, segurança, limpeza). O estado de Nevada, nos EUA, tem uma taxa de desemprego historicamente abaixo da média nacional. No Brasil, estimativas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE) sugerem que a indústria poderia criar até 700 mil postos de trabalho em uma década, com uma arrecadação tributária que poderia variar entre R$ 15 e R$ 30 bilhões anuais, dependendo da alíquota.
- Turismo e Desenvolvimento Regional: Um complexo de grande porte pode ser um “âncora” turística, atraindo voos internacionais diretos e estimulando a melhoria da infraestrutura local (aeroportos, estradas, saneamento). O caso de Singapura, que viu seu fluxo turístico saltar após a abertura dos resorts Marina Bay Sands e Resorts World Sentosa, é frequentemente citado.
- Riscos Sociais e de Saúde Pública: Este é o ponto mais sensível. O aumento da oferta legal leva a um aumento na prevalência do jogo problemático. Países como Reino Unido e Austrália investem pesadamente em campanhas de conscientização, linhas de ajuda e tratamento. “Qualquer projeto de lei que não destine no mínimo 1% da receita bruta para um fundo nacional de combate à ludopatia e de financiamento à saúde pública está fadado a criar um custo social enorme”, alerta a Dra. Renata Oliveira, psiquiatra e coordenadora do Ambulatório de Jogo Patológico do Hospital das Clínicas de São Paulo.
- Lavagem de Dinheiro e Criminalidade: Uma regulamentação frouxa abre portas para o crime organizado. O modelo bem-sucedido exige agências reguladoras fortes, independentes e com poderes de investigação, transparência total nas transações financeiras dos concessionários e rígida verificação da origem dos fundos (conhecida como “KYC” – Know Your Customer).
O Futuro: Como Poderá Ser a Primeira Cidade Brasileira dos Cassinos?
Com base nas discussões em tramitação no Congresso (como o PL 2.234/2022), é possível traçar um cenário provável para a primeira “cidade dos cassinos” brasileira. Ela não será uma Las Vegas transplantada, mas uma adaptação tropical e fortemente regulada.
Provavelmente, teremos um modelo de concessão, similar ao do setor de exploração de petróleo ou aeroportos. A União licitaria um número limitado de licenças (entre 5 e 10, conforme os projetos) para operação de “Resorts de Entretenimento Integrado”. Os critérios de escolha não seriam apenas o maior lance, mas a qualidade do projeto, o impacto socioeconômico regional e a experiência do operador. Empresas globais como MGM, Caesars ou a malasiana Genting, além de conglomerados nacionais como a Multiplan ou even WTorre, já monitoram o debate.
O resort vencedor teria que oferecer muito mais do que mesas de jogo: hotéis de categoria cinco estrelas, centros de convenções com capacidade para milhares de pessoas, teatros para espetáculos de grande porte, restaurantes gourmet, spas e parques temáticos. O cassino em si seria uma área restrita, com acesso controlado por idade (provavelmente 21 anos) e possivelmente com uma taxa de entrada para desincentivar o jogo casual. A publicidade seria severamente limitada, focando no resort como um todo e não no jogo.
A cidade-sede precisaria de um plano de desenvolvimento urbano integrado, com investimentos em mobilidade, segurança, saúde e educação, financiados em parte pelos royalties da concessão. Um percentual fixo da receita bruta do jogo seria destinado a um fundo nacional para o turismo, a cultura e o combate aos efeitos negativos do jogo.
Perguntas Frequentes
P: Existe algum cassino legal no Brasil atualmente?
R: Não, a operação de cassinos com jogos de azar como roleta, blackjack e caça-níqueis é proibida em todo o território nacional desde 1946. O que existem são bingos (em alguns estados, após decisões judiciais) e jogos de loteria estatal, como as operadas pela Caixa Econômica Federal.
P: Por que o Paraguai tem cassinos e o Brasil não?
R: O Paraguai adotou uma legislação mais permissiva em relação aos jogos de azar como forma de atrair investimentos e turismo, especialmente na região de fronteira. A legislação brasileira é histórica e culturalmente mais restritiva, influenciada por pressões religiosas e preocupações com a ordem pública, embora o debate esteja sendo reaberto.
P: Se legalizarem, qualquer cidade poderá ter um cassino?
R: Muito provavelmente não. Todos os projetos de lei em discussão preveem a criação de zonas específicas ou destinos turísticos autorizados, limitados a um pequeno número de localidades com infraestrutura e vocação turística definidas, como capitais ou regiões metropolitanas e destinos fronteiriços consolidados.
P: O jogo online (como apostas esportivas) será permitido?
R: Os jogos online, especialmente as apostas esportivas, já foram regulamentados pela Lei 14.790/2023. A discussão sobre cassinos físicos é separada, mas é possível que no futuro haja uma integração, com operadores físicos também oferecendo plataformas online credenciadas, sob supervisão da mesma agência reguladora.
P: O que é ludopatia e como o Brasil se prepararia para isso?
R: Ludopatia é o transtorno do jogo, um impulso incontrolável de jogar apesar das consequências negativas. Qualquer marco regulatório sério deve incluir a obrigatoriedade de os operadores financiarem campanhas públicas de prevenção, capacitação de profissionais de saúde, manutenção de uma linha telefônica nacional de ajuda e a imposição de limites de gastos e autoexclusão para os jogadores.
Conclusão: Mais do que um Nome, um Projeto de Nação
Responder à pergunta “como chama a cidade dos cassinos?” no contexto brasileiro vai muito além de apontar para Foz do Iguaçu ou Rio de Janeiro. É mergulhar em um debate complexo sobre desenvolvimento econômico, regulação estatal, saúde pública e o modelo de turismo que desejamos para o futuro do país. A “cidade dos cassinos” brasileira, se um dia existir, não será um mero clone de seus equivalentes estrangeiros. Ela terá que ser uma criação única, nascida de um consenso social e político, que equilibre de forma inteligente e ética os potenciais benefícios econômicos com a proteção indispensável dos cidadãos. O caminho é longo e exige um diálogo transparente, baseado em dados e experiências internacionais, e não em preconceitos ou idealizações. Enquanto o Congresso Nacional delibera, cabe à sociedade se informar, debater e exigir que, se o jogo for legalizado, ele seja feito com as cartas totalmente viradas para cima, em um modelo que priorize o desenvolvimento sustentável e o bem-estar coletivo. A aposta, no fim das contas, é no futuro do Brasil.